23/12/2014 - 11:16
Não há água, pela primeira vez em nossa história!

O último trimestre de 2014 será lembrado por muitos anos, ou algumas décadas  por muitos de nossa Santa Bárbara d’Oeste, pelo que parecia ser impossível acontecer, o que nem mesmo o mais pessimista dos barbarenses se atrevia a dizer, mas aconteceu!

Não há água suficiente em Santa Bárbara d’Oeste, pela primeira vez em sua história, desde que Plácido Ribeiro Ferreira, em 1937, foi aclamado pelos munícipes em sua própria residência, após anunciou a ETA-1, na Avenida Monte Castelo.

Não há água nas terras e Dona Margarida, o que contraria o que sempre esteve estampado no orgulho de nossa gente, pois essas terras sempre foram abundantes neste recurso, uma terra de hidrografia independente, incontáveis nascentes, e fartos veios hídricos a cortar nossas posses.

Não há água, e isso obrigou o Departamento de Água e Esgoto, o DAE, mais um motivo de orgulho de nossa cidade, desde o PLANASA, indicar primeiramente o quão crítico é o cenário atual referente à disponibilidade do líquido universal em nossas terras a atender nossa população.

Não há água, e antes de caçar as bruxas, é preciso conscientizar, economizar, poupar, ponderar, reutilizar, e chover, pois se não chover a curva de recarga, suficiente não apenas para amenizar, mas para recompor os níveis de nossas represas, não suportaremos mais um período crítico como esse.

Não há água, e todos na cidade buscam uma explicação, e para isso há muitas, umas folclóricas, umas coerentes, umas absurdas, umas políticas e poucas técnicas, pois em nossa cidade apesar, de ser referência nacional em tratamento de água de qualidade, pouca gente há, tecnicamente adequada para se debater o assunto e indicar as causas e apontar saídas.

Não há água, pois uma massa de ar quente estacionou sobre o Sudeste do Brasil, e o ciclo hidrológico não pode ser cumprido, não há agua, pois não preservamos nossas matas ciliares, e o solo compactou-se e não reservou a humidade necessária, tão pouco promovemos a evapotranspiração, quando tornamos nossas matas simplesmente lavouras, não há agua, porque perdemos volumes absurdos de água, com a falta de manutenção preventiva de nossas redes, com o reparo full-time de vazamentos ocasionais, não há troca de redes antigas e não mais recomendadas pela Lei, em tempo hábil e ritmo acelerado, ainda persistimos com o consumo abusivo de munícipes, com lavagem de carros, quintais, fachadas, e tudo isso com ÁGUA POTÁVEL, agua para beber, jogamos fora nossa água com torneiras pingando, com torneiras abertas no momento da higiene pessoal e em de tantas outras formas, que não há como listar todas aqui!

Não há água por culpa de todos, e não só de um, por culpa do descaso, da falta de cultura, do orgulho, do abuso, da autodeterminação, da ganância, da displicência, da ganância e não da natureza!

Só haverá água se aprendermos de fato, que mesmo hoje em abundância, amanhã podemos ficar em apuros, como hoje estamos.

Ah claro, sou inteiramente a favor do rodízio, desde que seja executado com profissionalismo, não com desespero, o que sou contra, é quanto as falácias populares, sem fundamento técnico, que se ouve pelos quatro cantos secos das terras de Santa Bárbara d’Oeste.

 

 

Nícholas Bié

É Engenheiro Ambiental e Sanitarista pela Puccamp e Agrimensor pela Unicamp






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