09/02/2015 - 21:14
O ar escoará pelas torneiras ao final de 2015

Nícholas Bié

 

As chuvas, verdadeiras maravilhas do ciclo hidrológico natural, chuvas essas que são o primeiro fator de existência desse ciclo, tem sido um momento de espera apreensiva nos últimos dois, até três anos, devido à irregularidade temporal, em que essas chuvas tem acontecido, além é claro da irregularidade de volumes de chuva que tem chego ao solo, para garantir as demais fases importantíssimas do ciclo hidrológico.

Tabela 1. Anos menos chuvosos e seus volumes 1917/2014

 
 
 

Ano

Vol. Mm

 

1921

812,00

 

1924

894,00

 

1933

971,00

 

1946

985,00

 

1956

953,00

 

1961

965,00

 

1963

956,00

 

1964

993,00

 

1978

874,00

 

1984

890,00

 

1985

970,00

 

2013

1362,00

 

Adaptado de ESALQ/USP

 

A cada 1 milímetro de altura de chuva por metro quadrado, temos 1 litro de chuva que chegou até o solo.

 

Toda essa espera pela chuva pode ser entendida pela necessidade das populações de ter sua vida totalmente ligada á água, o que de outro lado trás uma responsabilidade considerável a quem de fato faz a gestão dos recursos hídricos, a que se destina uma população, como por exemplo, a região em que vivemos aqui entre Santa Bárbara d’Oeste, Nova Odessa e Americana, mas, também não cabe apenas ao administrador público dos recursos estar atento a tudo nessa questão, e o consumidor não pode ser apena um mero consumista dos recursos, tem que se prepara para um período futuro, o que segundo dados de uma das mais respeitadas Universidade do País, não são nada animadores.

Segundo a Escola de Engenharia da ESALQ/USP, em Piracicaba, nossa região já passou por ciclos de seca hídrica e chuvas esparsas, desde que se têm dados de medições em 1917, para ser exato.

Esses dados mostram, através da tabela 1 ao lado que se compararmos livremente os dados de chuva dos últimos 98 anos, vamos enxergar que esse período de chuva escassa não é novidade em nossa região, e que 2013 é de longe, muito mais abundantes em chuvas que outros períodos registrados, tendo assim que as dificuldades de hoje são resultados de nossas escolhas de consumo, não só dos que administram os departamentos de água, mas nossa, consumidor, que escolhemos consumir indiscriminadamente, pagando para ver o dia em que as torneiras, escoarão ar, em vez da água.

2013 registrou um período muito mais chuvoso que os anos de 1978 e 1921, os dois piores anos de chuvas nos dados colhidos para nossa região, e porque passamos por problemas, se esse ainda não é o período mais crítico que podemos esperar? A resposta para isso é simples:

Gastamos mais do que devemos! Exemplo disso está transcrito no Manual de Hidráulica do Professor José Martiniano de Azevedo Neto, que classificado como o manual básico dos cálculos de abastecimento público de água, compilado com dados da SABESP/SP registram para uma região metropolitana como a nossa, consumo muito superior ao recomendado internacionalmente.

 

             

 

 

 

    

Tabela 3. Anos mais chuvosos e seus volumes 1917/2014

 
 
 

Ano

Vol. Mm

 

1926

1547,00

 

1929

1559,00

 

1931

1616,00

 

1943

1634,00

 

1945

1569,00

 

1947

1552,00

 

1976

1602,00

 

1982

1722,00

 

1983

2018,00

 

1995

1648,00

 

1996

1591,00

 

2011

1575,00

 

Adaptado de ESALQ/USP

 

 

 

Em um cálculo simples, num cenário extremamente otimista, em que a média máxima de chuva dos melhores anos, apresentados na tabela 3, registrados pela ESALQ/USP, no valor de 1636,08 milímetros de chuva, ou seja, acreditando que possa vir acontecer em Santa Bárbara d’Oeste por exemplo, um volume de chuva total de 1.636,08 litros por metro quadrado de área permeável durante o ano de 2015, (área total da cidade em metros quadrados excluída área urbana impermeável e não aproveitável para reserva de água) ,o que hoje gira em torno 189.492.000,00  de  metros quadrados, e que todo esse volume seja reservado (o que não ocorre por inúmeras condicionantes físicas e geográficas do estado e do tipo de solo em Santa Bárbara d’Oeste e do posicionamento das represas e da mancha urbana do município); poder-se-ia alcançar  uma possibilidade de reserva em 2015, da ordem de 124.009.881.200,00 litros de água, para eventual consumo, mas é necessário um volume de 253.127.500.000,00, litro no ano para garantir o abastecimento total da cidade. Ou seja, na melhor das hipóteses, reservar-se-ia naturalmente 48,99% da água que se necessita!

 

Tendo o DAE/SBO, um volume de água reservado hoje em suas represas, de aproximadamente 50% do seu total, considerando o volume morto (ou reserva técnica, o que não é o termo adequado tecnicamente, pois os recursos do volume morto, não deveriam ser utilizados para abastecimento), os cenários para o último bimestre de 2015 não são nada reconfortantes e tão poucos seguros, para garantir o abastecimento de Santa Bárbara d’Oeste, pois lançado mão das reservar do volume morto, gera-se um efeito cascata em todo o sistema de tratamento de água, elevando o custo do sistema e reduzindo a qualidade da água oferecida.

 

O cenário das cidades de Nova Odessa e Americana, ao lado de Santa Bárbara d’Oeste, não é nada diferente, e na questão de Americana, a situação é historicamente mais delicada que nas demais vizinhas, e por isso os administradores dos departamentos públicos que se ocupam com a questão da reservação e da gerência das águas precisam, ao lado do consumidor final, se unir para encontrar uma forma de postergar o que parece ser inevitável, a escassez total de água, reduzindo o consumo em casa, e nas linhas industriais, além da busca pela solução de perdas nas linhas de adução e distribuição de água para a população, caso contrário, será o ar, que escoará pelas torneiras ao final de 2015.

 

Nicholas Bié

É Engenheiro Ambiental e Sanitarista pela Puccamp e Agrimensor pela Unicamp






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