13/02/2015 - 19:59
O Aníbal matou!

Minha mãe chegou em casa de meu irmão para cumprimentar minha sobrinha Amara, que estava aniversariando naquele dia.

 

-  Oi. Tudo bem? Disse minha mãe. Onde está Amara?

 

-  O Aníbal matou! gritou minha cunhada Cilene.

 

O que era isso, meu Deus?

 

Para entender vamos retroceder no tempo.

 

No dia anterior, estávamos comentando sobre animais que invadem nossa casa, como baratas, formigas, ratos, grilos, louva-a-deus e demais.

Cilene comentava que naquela semana um rato havia entrada em sua casa quando ela estava sozinha à noite, enquanto assistia TV deitada no sofá.

Gritar foi a primeira coisa que lhe ocorreu fazer.

O tal do bichinho infiltrou-se em sua casa, sem lhe pedir licença!

Tal ousadia não podia ser aceita!

Que fazer? Sozinha, sem “homens” em casa para socorrê-la.

Ah! O velho rodinho!

Foi com o velho rodinho e um mata-baratas que se armou a mulher.

E lá se foi atrás do tal intruso.

Ele invadiu a sala, subiu na cadeira!

-  Ah, meu Deus! Minha cadeira de visitas! Sai daí, rato atrevido! vociferava Cilene.

O ratinho obedeceu, porém foi se esconder atrás do sofá.

Então, veio Fifi, a fiel amiga de todas as horas, boas e más. Fifi cheirando tudo e procurando o inimigo.

Cilene fez silêncio. Fifi fez silêncio. O ratinho “quic, quic” ....

-  Na cortina! Berrou minha cunhada.

O rodinho, arma de toda dona de casa, entrou em ação e o ratinho foi  ao chão; Fifi rosnava, pronta para entrar em ação.

Mas rato que se preza não se deixa apanhar na primeira vez. E lá foi ele, agora para a biblioteca, atrás dos livros de meu irmão! Quanta ousadia!

Cilene, em vão, tentou achar o ratinho. Ele a vencera. Decidiu, então, trancar a porta e deixar para o dia claro, quando a empregada a ajudaria.

Manhã.

-  Temos algo muito importante para fazer, disse Cilene à empregada.  Ratinho precisa ser expulso da biblioteca.

Agora já não era mais um ratinho, mas Ratinho, pois se tornara seu conhecido inimigo.

E foram as duas para a biblioteca, munidas de pano, vassoura, rodinho, mata-baratas e outras “armas”.

Livros são remexidos, tudo exposto. E Ratinho parecia rir das tentativas de Cilene para eliminá-lo.

-  Aqui! Atrás do livro! berra Cilene, ao sentir alguma coisa fria em sua mão (era uma das medalhas de meu irmão).

A empregada corre ... longe da biblioteca, pois disse que rato não era com ela.

Bem, parece que Ratinho venceu por mais um dia.

-  Ah, mas isso não fica assim, Ratinho. Amanhã eu quero ver quem é que manda aqui.

E dizendo isso, Cilene foi dormir.

No dia seguinte Cilene pôs um pouco de veneno para ratos na biblioteca; Ratinho comeu.

Meio atordoado pelo veneno, Ratinho foi ao quarto do filho de Cilene, onde ele guardava seus brinquedos dos tempos de criança.

É aquela velha história: filho homem depois que cresce, pensa que mãe é sempre covarde diante dos pequeninos animais que invadem a nossa casa.

-  Ah, mãe, um ratinho tão pequeno e você tem medo. Só podia ser coisa de mulher. Deixa que eu cuido disso.

O “macho” foi atrás de Ratinho.

Rir foi o que Cilene fez quando seu filho pulou e pulou quando Ratinho começou a correr em sua direção.

Mas naquelas alturas, Ratinho já atordoado pelo veneno, era páreo fácil para o filho de Cilene:  o filho homem venceu Ratinho, com algumas vassouradas.

E foi assim que minha mãe ficou sabendo quem tinha matado Ratinho:

-  O Aníbal matou!

 

 

Marta Padoveze é professora de idiomas (Inglês, Português e Espanhol) e assessora parlamentar






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