23/02/2015 - 09:43
Teresa de Manuel

Marta Padoveze

Aos olhos de Teresa, eu não sou nada. Mas como posso culpá-la se eu mesmo a havia desdenhado por duas vezes?

Agora, lembro-me tão claramente do primeiro dia em que a vi, tão esquisita, tão cara de perna!

- Bom dia, moço! Quero descontar este cheque. E o sorriso era seu cartão de visitas.

E eu só via em Teresa sua cara-perna. Até que Teresa era bem jeitosinha, mas aquela minissaia mostrando suas pernas estúpidas me incomodavam, sem aparente motivo.

Na segunda vez que olhei para ela, suas pernas já não me pareciam tão estúpidas assim, Talvez, porque naquela ocasião, ela estivesse usando uma saia mais longa, mas os olhos! Eram mais velhos que ela! Seriam olhos de sabedoria já alcançada? Ou seriam olhos já muito sofridos, mais sofridos que o corpo?

- Bom dia, moço! Quero descontar este cheque, disse Tereza, repetindo para mim seu cartão de visitas.

Na terceira vez, eu a enxerguei, e nada mais havia ao redor, só Teresa em suas pernas inteligentes, com seu rosto-anjo.

- Bom dia, moço! Quero descontar este cheque. Porém, o seu belo cartão de visitas era dirigido a outro caixa, e ele, por sua vez, fixava os olhos maduros da moça.

Eu a amava e ela nem percebia. Eu só via Teresa, que não era pernas, olhos, cara: era tão somente Teresa, o meu amor.

 Eu teria depositado minha vida em Teresa mas ela nem sacou o meu amor.

 

Marta Padoveze é professora de idiomas (Inglês, Espanhol e Português) e assessora parlamentar






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