É preciso indexar!

Por Antonio Martins 13/01/2017 - 11:24 hs
É preciso indexar!
Antonio Martins, presidente do Sind. Trabalhadores Têxteis de Americana

 

Um assunto que é tabu para os economistas e para o Governo precisa ser enfrentado e discutido: a indexação dos salários. Com a desculpa de se garantir a estabilidade monetária, eliminaram, na teoria, a indexação da economia em 1995. Mas na prática o único contrato que ficou desprotegido foi o de Trabalho. A Medida Provisória 1.053, editada no Governo FHC,  foi o instrumento utilizado para desindexar a economia, vedando a correção automática para reajustes. No caso dos salários, adotou-se a livre negociação para corrigir valores dos contratos de trabalho.

Mas o que era bonito na teoria mostrou-se danoso na prática.  Para não irmos muito longe, no ano passado  por exemplo, nenhuma categoria profissional conseguiu na data base, repor a inflação aos salários. Quando os sindicatos vão para a mesa de negociação precisam se matar para conseguir repor ou chegar perto de repor a inflação. A luta para se conseguir corrigir o salário pela inflação é tão intensa que não dá margem para se discutir aumento real ou outros benefícios para a categoria.

Quer dizer; o salário ou é corrigido pela inflação ou nem isso. Enquanto os preços  públicos e privados, com contratos ou não, sobem bem além.  Gasolina, energia, telefone, planos de saúde, remédios, gás, transporte público, aluguel....ou sobem pela inflação ou na maioria dos casos muito acima. Esta nefasta situação faz com que o poder de compra dos trabalhadores vá diminuindo a ponto de mal se conseguir manter o básico dos básicos, que seria moradia, alimentação, remédios e vestuário. Foi assim que o Governo  conseguiu frear o aumento da inflação: tirando da boca do trabalhador, eliminando seu poder de compra.

 É uma piada dizer que a indexação dos salários alimenta a inflação. O que alimenta a inflação é o gasto excessivo do poder público com toda ordem de despesas desnecessárias, a falta de controle, o cabide de emprego e a distribuição deslavada de propinas.

Corrigir os salários pela inflação passada nem deveria estar sendo cobrado, pois é  forma mínima de justiça social.

 

Antonio Martins

Presidente do Sind. Trabalhadores Têxteis de Americana

 

 É preciso indexar!

 

Um assunto que é tabu para os economistas e para o Governo precisa ser enfrentado e discutido: a indexação dos salários. Com a desculpa de se garantir a estabilidade monetária, eliminaram, na teoria, a indexação da economia em 1995. Mas na prática o único contrato que ficou desprotegido foi o de Trabalho. A Medida Provisória 1.053, editada no Governo FHC,  foi o instrumento utilizado para desindexar a economia, vedando a correção automática para reajustes. No caso dos salários, adotou-se a livre negociação para corrigir valores dos contratos de trabalho.

Mas o que era bonito na teoria mostrou-se danoso na prática.  Para não irmos muito longe, no ano passado  por exemplo, nenhuma categoria profissional conseguiu na data base, repor a inflação aos salários. Quando os sindicatos vão para a mesa de negociação precisam se matar para conseguir repor ou chegar perto de repor a inflação. A luta para se conseguir corrigir o salário pela inflação é tão intensa que não dá margem para se discutir aumento real ou outros benefícios para a categoria.

Quer dizer; o salário ou é corrigido pela inflação ou nem isso. Enquanto os preços  públicos e privados, com contratos ou não, sobem bem além.  Gasolina, energia, telefone, planos de saúde, remédios, gás, transporte público, aluguel....ou sobem pela inflação ou na maioria dos casos muito acima. Esta nefasta situação faz com que o poder de compra dos trabalhadores vá diminuindo a ponto de mal se conseguir manter o básico dos básicos, que seria moradia, alimentação, remédios e vestuário. Foi assim que o Governo  conseguiu frear o aumento da inflação: tirando da boca do trabalhador, eliminando seu poder de compra.

 É uma piada dizer que a indexação dos salários alimenta a inflação. O que alimenta a inflação é o gasto excessivo do poder público com toda ordem de despesas desnecessárias, a falta de controle, o cabide de emprego e a distribuição deslavada de propinas.

Corrigir os salários pela inflação passada nem deveria estar sendo cobrado, pois é  forma mínima de justiça social.