Trabalhadores não usam máscaras para se esconder!

Trabalhadores não usam máscaras para se esconder!

Por Luciano Domiciano 30/05/2017 - 16:35 hs
Trabalhadores não usam máscaras para se esconder!
Luciano Domiciano é jornalista

 

Estive em Brasília na “Marcha da Classe Trabalhadora”, que acabou em confronto entre black blocs e polícia na última quarta-feira. Acompanhei os dois ônibus do SEAAC de Americana e Região, levados à manifestação com apoio da FEAAC (Federação). É uma viagem longa e cansativa.  No caminho e lá, na concentração, ao lado do Estádio Mané Garrincha, há tempo de ouvir histórias de jovens, mulheres e idosos. Todos dizem que o motivo de estarem ali é a indignação pelos escândalos da política e o desejo que o Governo não lhes tire direitos com as reformas da previdência e trabalhista. Não é território de baderneiros. Todos estão com a camisa de sua entidade. Não rodaram mil, dois mil, três mil quilômetros para invadir, depredar ou jogar pedras.


Com sol escaldante, carro de som à frente, caminham devagar os cinco quilômetros que distanciam o Estádio da Esplanada dos Ministérios e das sedes dos poderes Legislativo e Executivo. No percurso o que se houve é o canto frequente do Hino Nacional e algumas palavras de ordem como “Fora Temer”, “O trabalhador é meu amigo...mexeu com ele, mexeu comigo” e musiquinhas como “ai..ai..ai...se empurrar o Temer cai”.... Nada mais que isso. O carro de som avisa que não aceitará a presença de mascarados na manifestação. Quando aparece um, é barrado, revistado e entregue à segurança junto com uma mochila de pedras.


Para chegar no local definitivo da concentração, manifestantes passam por um cordão de policiais. Mochilas são revistadas. O carro de som é vasculhado. Podem entrar. Não há rojões. O cano de pvc das bandeiras foi retirado lá atrás, na saída do Estádio, por orientação dos organizadores. Um grupo de senadores e deputados sobe no carro de som. O local  vai se enchendo. Pela extensão e largura da avenida percorrida, calcula-se mais de 100 mil pessoas e nenhuma arruaça.


De repente um carro de som diferente adentra o local com “gritos de guerra” estranhos. E surge do nada umas três centenas homens e mulheres com máscaras de todo tipo e inicia-se o confronto com uma polícia despreparada para lidar com ações mais complexas. O povo abre espaço e eu me pergunto: - Caramba! Como esse carro e esse pessoal passou pelos policiais lá atrás, se a gente passou por revista? Não dá tempo de procurar resposta. Melhor correr e ajudar a proteger mulheres, idosos e crianças. O resto da história todos viram pelos noticiários, que generalizam e tentam colocar manifestantes e black blocs em níveis semelhantes. Não são.


 O ativismo black bloc tem origem na Alemanha da década de 70 e seguidores em diversos países. Não é um movimento de organização única. Portanto de difícil controle. Suas infiltrações intempestivas  em manifestações de classe  ou de cunho social sempre prejudica o movimento. É refletir!