As medalhas e o Pilinha

Por Luciano Domiciano 21/08/2017 - 14:14 hs
As medalhas e o Pilinha
Luciano Domiciano é jornalista

 

Por conta do desrespeito do Estado de São Paulo com os atletas que participaram dos Jogos Regionais, me veio uma lembrança dos tempos de menino. Cursava o Ginásio (era assim naquela época) lá em Guaraci, cidadezinha pequena mais pro interiorzão. Devia ter 11 ou 12 anos. Na minha classe estudava um moleque magricela que a gente chamava de “Pilinha”. Nunca soube o nome dele. Era “Pilinha”, pronto e acabou.


De vez em quando  o “Pilinha” promovia  um torneio de futebol, usando um campinho de terra batida. Normalmente conseguia formar de quatro a seis times, de oito jogadores cada (o campo era pequeno). Pedia uns trocados para cada jogador e com este dinheiro comprava  troféus e medalhas...bem baratinhos. Premiava os três primeiros colocados, o artilheiro e o goleiro menos vazado.


Disputar o torneio do “Pilinha” era muito bom. A entrega da premiação  era o êxtase. A gente esquecia até do joelho esfolado na terra batida. Não lembrava nem que a mãe ia passar mertiolate.  Terminado o torneio, entregue os troféus, a turma ia embora admirando que o “Pilinha” com tão pouco fazia tanto.


Não sei direito  o que o “Pilinha” fez da sua vida.  Me  parece que não seguiu nos estudos e trabalha como braçal nas fazendas da região. Só sei que o “Pilinha” era uma cara arretado e correto na organização dos torneios que promovia. Nunca faltou premiação.


Não sei o nome do Secretário de Esportes do Governo do Estado de São Paulo. Deve ser um cara estudado, de formação superior, com um vasto currículo de serviços prestados aos políticos da vez. Mas cá entre nós, ele poderia se deslocar até Guaraci, procurar o “Pilinha” e se informar como fazer as coisas certas, entregando troféus e medalhas à quem de direito.


Outra alternativa é o Governador do Estado convidar o “Pilinha” para ser Secretário de Estado. Mas acho que o “Pilinha” não vai aceitar!