Não há como escapar

Por José Renato Nalini 24/08/2017 - 13:58 hs
Não há como escapar
José Renato Nalini, secretário da Educação do Estado de São Paulo

 

Ninguém consegue fugir à quarta revolução industrial. Nela estamos todos imersos. O mundo a cada dia é outro, diferente de ontem e diferente do amanhã. As comunicações e informações mereceram impulso exponencial, muito desproporcional em relação ao avanço das relações humanas. Tornamo-nos a cada dia mais insensíveis, enquanto nos transformamos em cúmplices da tecnologia, servos das máquinas, escravos das redes.


Para sobreviver, cumpre tentar dominar o que restou da consciência. Ela também foi abalada e em muitas pessoas está neutralizada. Os seres humanos viraram autômatos. As emoções que superam a barreira deflagram violência, ira, angústia, ressentimento, droga e suicídio. Há muita leitura disponível, para quem queira compreender o que se passa. Além de um acervo enorme de documentários, entrevistas, depoimentos e prognósticos. Grande parte deles catastróficos. E os assuntos proliferam. Novidades a cada instante!

 

A roupa inteligente, por exemplo. O mundo “wearable”, que emite sinais sobre nossa respiração, pulso, batimento cardíaco, emoções, sensações, etc. Progresso? Evidente. Mas também canal de fornecimento às empresas de saúde e de assistência médica, de todos os nossos destinos patológicos.


O livro “Inevitável”, de Kevin Kelly, é um estudo das doze forças tecnológicas que mudarão este nosso mundo. A realidade virtual dentro de casa, a inteligência artificial presente em tudo aquilo que o homem fabrica. Não adianta tentar reafirmar que não somos escravos da tecnologia, que não usamos celular, que não temos e-mail, Whatsapp, Instagram ou Facebook. Eles nos perseguem. Nenhum ser humano é uma ilha.


Tudo mudou e vai mudar ainda mais profundamente. O que fazemos, o que compramos, com quem nos comunicamos. Mergulhar nessa volúpia, compreender, abraçar e aumentar a possibilidade de extrair benefícios? Ou voltar para o tempo das cavernas, só que cavernas interiores da solidão e do isolamento?