Obras inacabadas para evitar transbordamento do Córrego São Manoel custam R$ 10 milhões

Por Roberto 14/02/2018 - 21:10 hs

Obras inacabadas para evitar transbordamento do Córrego São Manoel custam R$ 10 milhões
Ônibus da Viação Princesa Tecelã foi arrastado pela enxurrada (Imagens GCM e PM)

Americana (SP) estima que ainda terá de gastar R$ 10 milhões para concluir obras inacabadas, previstas há 11 anos, para evitar transbordamento do Córrego São Manoel, onde um ônibus com 15 passageiros caiu após ser arrastado pela enxurrada no fim da manhã desta quarta-feira (14). Dois ficaram feridos e foram socorridos ao Hospital Municipal, informou a assessoria da Prefeitura.


De acordo com a administração, o projeto que prevê a readequação das galerias pluviais e serviço de retificação do Córrego São Manoel - para abertura da Avenida da Saúde e ampliação das tubulações das galerias da Avenida São Gabriel até o Córrego Santa Angélica - foi feito em 2007.


O Executivo, porém, diz que a execução começou em ordem incorreta e "problemas" no convênio com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, impediram o término dos trabalhos. A enchente onde houve o acidente, segundo a assessoria, foi a primeira neste ano.


"Para resolver o problema, é preciso terminar a execução das obras de drenagem que faziam parte do PAC", diz nota da administração ao defender que fez limpeza das bocas de lobo no entorno do Córrego São Manoel, e ampliou as redes de galerias pluviais nas ruas São Lucas e Luís Nardo.


A Prefeitura informou que irá refazer o orçamento, mas não mencionou prazo para que os trabalhos sejam retomados. Além disso, não confirmou quanto já foi investido nestas áreas.

 

O que diz o governo federal?


 

O Ministério das Cidades informou, em nota divulgada às 19h25, que Americana celebrou quatro contratos de financiamento na modalidade "manejo de águas pluviais" com o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), por meio do PAC Saneamento. Eles representam R$ 75 milhões.


De acordo com a assessoria, uma auditoria da Controladoria-Geral da União fez uma série de apontamentos relacionados à contratação e execução das obras e serviços que resultaram na paralisação da liberação de recursos em três empreendimentos - com exceção da retificação e canalização do Córrego do Parque.


"A Controladoria-Geral da União, em seu relatório final, afastou toda e qualquer menção a supostas deficiências na atuação do Ministério das Cidades", diz nota. Além disso, o ministério ressaltou que cabe "ao agente financeiro" acompanhar as obras e repassar verbas conforme execução do projeto.


 

O acidente


 

O coletivo fazia a linha entre os bairros Antônio Zanaga e Vila Mathiensen quando houve alagamento no cruzamento entre as avenidas da Saúde e Antônio Pinto Duarte, informou a Prefeitura. Ao todo, 15 passageiros foram resgatados pelos Bombeiros e moradores da região.


Dois deles tiveram ferimentos e foram levados ao Hospital Municipal: uma gestante de 40 anos, que realizou uma ultrassonografia, além de um idoso de 67 anos. De acordo com a Prefeitura, ambos foram liberados após atendimento na unidade médica.


 

Apurações


 

Em nota, a Empresa Princesa Tecelã, responsável pelo coletivo, informou que as causas do acidente estão em apuração. Além disso, destacou que as manutenções do veículo estão em dia e o motorista atua no transporte urbano há pelo menos 20 anos.


A companhia destacou que o veículo foi retirado do córrego por volta das 17h15 e levado para o pátio. Além disso, confirmou que, para preservar o condutor, ele ficará afastado "por alguns dias".

 

Fonte: G1/Campinas