Rumo ao fim dos tempos

Por José Renato Nalini 30/04/2018 - 21:15 hs
Rumo ao fim dos tempos
José Renato Nalini é retor da Uniregistral e palestrante


O programa “Cidades e Soluções” apresentado por André Trigueiro aborda temas que deveriam preocupar todas as consciências. Lamentavelmente, são poucos os que se mostram sensíveis em relação a questões graves, como aquelas resultantes de nossa insensatez no trato com a natureza.


Algo que aparentemente não motiva a mudança de hábitos é o elevado uso de produtos que, sob a fisionomia inofensiva, apressam nossa caminhada rumo ao caos. Um exemplo é o “canudinho”, presente em todo o consumo comercial de refrigerantes. Por não parecer algo perigoso, é arremessado ao lixo comum e vai parar nas bocas de lobo, nos córregos, nos rios e no mar. E matam tartarugas, peixes e emporcalham a água.


Há quem diga que em 2050 não haverá mar. Tudo terá sido transformado em grande depósito de plástico. Pois acrescente-se o número de garrafas pet, de copos, pratos e talheres descartáveis. Hoje há vinte milhões de toneladas de ilhas plásticas boiando em todos os mares. A tendência é crescer, assustadoramente, até acabar com a fauna marítima e com tudo aquilo que os mares significam para a preservação da vida.


Pouca gente parece possuir noção de que a fralda descartável é outra praga que sobrevive imune e sob a proteção da inatacável infância. Seu material demora de 400 a 600 anos para desaparecer. Abarrota os lixões, os aterros sanitários e o Brasil é o terceiro país a consumi-la, só abaixo da China e dos Estados Unidos.


Os fabricantes desses produtos descartáveis que se incorporaram ao consumo rotineiro deveriam ser compelidos a assumir a logística reversa com a seriedade que o tema reclama. Quem produz algo nocivo à natureza tem a responsabilidade de acompanhar a vida útil de sua produção e cuidar de dar um fim que não ameace a subsistência de qualquer espécie de vida neste sofrido planeta.


Em nome do conforto, da comodidade, do bem-estar e do progresso, adota-se o suicídio como a opção imposta pelo egoísmo, pelo consumismo desenfreado e pela inclemência que caracteriza a espécie humana neste conturbado século XXI. E nada existe a permitir prenúncio de mudança efetiva de hábitos, para que a humanidade recupere a aliança rompida com a natureza, escolha pela qual será a maior prejudicada.