Vaso sanitário não é lixeira

Vaso sanitário não é lixeira

Por José Renato Nalini 16/07/2018 - 12:43 hs
Vaso sanitário não é lixeira
Jose Renato Nalini é reitor, ex-secretário de Educação e palestrante

 

            O saneamento básico no Brasil é outra promessa descumprida. Grande investimento, longo prazo, não interessa para quem só pensa em eleição. Estamos atrasados em relação ao restante do planeta. É uma degradação lastimável. Quarto ou quinto mundo. Sem qualquer pretensão a chegar ao ranking da preocupação que não é apenas ecológica. É com a saúde, com a qualidade de vida, com a dignidade da pessoa humana, propalado supraprincípio fundante da Carta Cidadã.


            Um exemplo é o lançamento de esgoto in natura no mar e nos rios. Os emissários eram uma grande saída há cinquenta anos. Hoje estão defasados. No Rio de Janeiro, em 300 km de costa, só há dois emissários: Ipanema e Barra da Tijuca. Segundo os especialistas, deveria existir um emissário a cada dez quilômetros.


            O pior é que o esgoto arremessado ao mar lança também resíduos de lixo que os usuários lançam nas latrinas, como se estas fossem latas de lixo. Infinito o rol de objetos jogados às privadas: cotonetes, modess, camisinhas, calcinhas, embalagens as mais diversas. As grades que retêm as coisas maiores não conseguem segurar tudo aquilo que vai parar no mar e forma um tapete de sujeira.


            Incrível como em pleno século 21, as pessoas não tenham educação e continuem a se servir dos vasos sanitários para descartar tudo aquilo que deveria ter um endereçamento diferente. Com isso, as águas das praias vão se tornando impróprias para o banho. A balneabilidade é sofrível. Com riscos enormes para a saúde de banhistas e de todas as pessoas que frequentam o litoral.


            Como pretender que nossa costa litorânea chame pessoas do Primeiro Mundo se o que temos a oferecer é sujeira, violência, falta de educação, miséria e feiúra?


            Povo mal educado não sabe votar, não sabe cobrar, não sabe fiscalizar e não sabe que poderia mudar a realidade se resolvesse assumir responsabilidades e agir como cidadão, tomar conta do ambiente e do Brasil, que está à deriva.


            Mesmo que você não queira participar desse processo de faxina no seu país, ao menos comece por não fazer de seu vaso sanitário uma lixeira. Ele existe para recolher urina e fezes, não lixo e tudo aquilo de que você se livra, na sociedade burra que torna tudo descartável. Até as pessoas!

 

José