A Sociedade do Amanhã

Por José Renato Nalini 26/11/2018 - 10:10 hs
A Sociedade do Amanhã
José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista

 

A ficção da “sociedade civil” é cada vez mais fictícia. O que temos hoje? A minoria contente com sua vidinha e a maioria não tão silenciosa, urrando e não enxergando perspectivas.


O Brasil piorou muito nas últimas décadas. O declínio dos valores é evidente. Há um déficit de confiança, carência quase absoluta de brio. Ética só no discurso. O consenso único é a falta de consenso em praticamente tudo.

 

Por incrível que pareça, a ciência e a tecnologia continuam a surpreender. Todos se comunicam com todos, as notícias atingem milhões em instantes. Propaga-se a informação e a falsidade com avidez. A violência é flagrante. Material e espiritual. Esta, sob a forma da insensibilidade, da invisibilidade da miséria. Da exclusão e do preconceito.

           

Que falta faz uma liderança séria! Alguém que tivesse discurso consistente, que formasse a maioria possível para traduzir aquilo de que o Brasil precisa para sair do atoleiro.

           

Na falta desse vulto deflagrador de uma cruzada, resta ao indivíduo e aos pequenos grupos assumir protagonismo salvífico. Valer-se da revolução tecnológica para impactar nichos de convivência. Há exemplos históricos. A 3ª Revolução Industrial alavancou a vida dos trabalhadores intelectuais, fazendo com que suas tarefas se tornassem mais leves do que a dos operários em indústria. Estes haviam deixado de esforços hercúleos em virtude da 2ª Revolução. Mas a 4ª deve trazer muito mais novidades.

           

Pouca gente prestou atenção ao que aconteceu entre 1988 e 2008: o trabalhador na indústria se tornou o precariado. Perda de postos de trabalho e estagnação salarial. Mas agora são os artífices de trabalho intelectual os ameaçados. A automação, a robótica e o poderoso algoritmo, em uso pela Inteligência Artificial, pode substituir os contadores, os advogados e outros profissionais.

           

Um exemplo: o escritório da Goldman Sachs em NY, no ano 2000, empregava 600 negociadores. Em 2017, apenas dois, a manusearem um programa automatizado de negociação. Há muita coisa em risco. No momento em que o anúncio de algumas vagas congrega dezenas de milhares de ansiosos desempregados, o desafio é tétrico. 65 milhões estão entre os que não têm postos de trabalho, os que procuram trabalhar e os desalentados que já desistiram.

           

Qual o projeto da política partidária para essa tragédia anunciada? Qual o desenho possível para a sociedade brasileira da próxima década?

 

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista.