Química Analítica na Agricultura

Por Paulino F. de Souza 11/03/2019 - 09:51 hs
Química Analítica na Agricultura
Paulino F. de Souza é docente da Faculdade de Tecnologia de Piracicaba - FATEP

 

A Química Analítica desempenha um importante papel no auxílio aos profissionais da área agronômica para tomada de muitas decisões. Um dos diversos exemplos que podemos citar é a diagnose foliar no que se refere ao conhecimento do estado nutricional das plantas. A diagnose foliar busca, por meio de folhas diagnósticos (amostras representativas), conhecer teores dos nutrientes relacionados às deficiências ou toxidez na planta, e com isso determinar a necessidade de adubação. A diagnose foliar depende do tipo de cultura, quantidade de folhas coletadas, idade etc.

 

O entendimento do estado nutricional das plantas, aliados ao conhecimento da faixa de suficiência ideal de cada elemento (mínimo ou máximo) permitem o planejamento de uma adubação correta, o que colabora para uma produção agrícola adequada. A produção agrícola adequada dependerá de outros fatores, como por exemplo das condições edafoclimáticas. Nesse tocante, a Química Analítica é uma área do conhecimento que permite separar, identificar, quantificar (ou não) um determinado analito de interesse.

 

A Química Analítica é dividida em três áreas: Qualitativa, Quantitativa e Instrumental.

 

A Química Analítica Qualitativa permite conhecer, identificar algum analito de interesse sem quantificá-lo. Por sua vez, a Química Analítica Quantitativa permite conhecer e quantificar analitos de interesse por meio de medições (determinações) em um determinado laboratório com finalidade específica. Cada laboratório atua no seu segmento da área de interesse. Os valores determinados representam dados dos diversos analitos de uma amostra (umidade, teores de macro e micronutrientes, entre outros). 

 

A Química Analítica Instrumental utiliza técnicas instrumentais, que auxiliam a conhecer concentrações de parâmetros de interesse dependendo da necessidade. Os equipamentos utilizados, na maioria das vezes, são extremamente sensíveis e permitem detectar níveis de mg kg -1, mg L-1, µg kg-1, µg L-1 concentrações do analito de interesse ou concentrações em níveis de porcentagem, cujos métodos clássicos, tais como volumetria e gravimetria, não conseguem detectar baixas concentrações. 

 

O laboratório de Química Analítica é um ambiente preparado para que muitas atividades sejam desenvolvidas com o intuito de conhecer cada vez mais os constituintes presentes numa amostra, como na área ambiental, fertilizantes, solos, águas, resíduos, etc.

 

A Química Analítica dispõe de procedimentos operacionais padrões (POP) ou simplesmente analíticos. Existem POPs, ou procedimentos, para cada finalidade visando a determinação do analito. Os procedimentos são documentos que descrevem todas as operações desde a amostragem, preparo da amostra, cuidados no manuseio, preparo de soluções até a expressão dos resultados, etc. 

 

Existem dois tipos de amostras: aleatória e a representativa. 

 

A aleatória é coletada aleatoriamente sem utilizar método adequado. Podemos citar, por exemplo, uma amostra de solo coletada próxima a locais onde circulam máquinas. Esses tipos de padrão, em algumas situações, não têm valor analítico reconhecido. Nessa situação, o profissional não terá condições de tomar nenhuma decisão. Por outro lado, a amostra representativa faz com que o profissional tenha um resultado real dos parâmetros de interesse que seu tipo de cultura necessita. Nas amostragens representativas, e dependendo da necessidade, são aplicados métodos já bem estabelecidos para proporcionar uma coleta segura da amostra. Em amostras de solo, como exemplo, e dependendo do objetivo a ser estudado (química ou física dos solos), são utilizados croquis que delimitam a área coletada, e as amostras são colhidas em diferentes profundidades (0-20 cm, 20-40 cm, 40-60 cm) em mesmo ponto de coleta. Porém, para cada tipo de amostra existe um procedimento específico e acessórios apropriados para cada finalidade.

 

Dependendo do objetivo, as amostragens nos permitem formar uma amostra composta, propiciando meios para que o laboratório venha a expressar valores com muita confiabilidade.

 

O laboratório, por sua vez, deverá ter uma estrutura adequada, que permitirá aos técnicos desenvolverem suas atividades de forma segura, baseados em procedimentos validados e normas para garantir o resultado analítico com qualidade. A Química Analítica é muito flexível visto que ela tem se adaptado, atendendo às novas legislações propostas por organismos reguladores, clientes e mercados.

  

Paulino F. de Souza é docente da Faculdade de Tecnologia de Piracicaba (Fatep). Possui licenciatura em Química, mestrado e doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP).