O mundo pede um pouco mais de alma

Por Alessandra Cerri 13/05/2019 - 17:32 hs
O mundo pede um pouco mais de alma
Alessandra Cerri é professora e sócia-diretora do CLAP

 

 

 Observo e aprendo muito com as mulheres mais velhas, especialmente com minhas alunas. Essa semana, estava conversando com uma aluna que admiro muito sobre os problemas que podem acontecer na vida, quando ela tranquilamente me olha e diz: “sabe, na idade em que estou, aprendi que devo confiar plenamente em Deus, devo fazer a minha parte e aceitar que tudo acontece por um motivo maior”. Tive vontade de aplaudir, mas simplesmente fiquei refletindo e admirando a sabedoria e a espiritualidade dessa mulher que por tantas outras vezes já mostrou um potencial enorme de resiliência.


Pois bem, a espiritualidade está entre os nove aspectos mais importantes para a longevidade, segundo um dos maiores estudos sobre o assunto, denominado Blue Zones. É ela que possibilita uma maior conexão com o nosso sagrado, com nosso interior. Também, é o que nos torna mais conscientes e, consequentemente, mais preparados para enfrentar a vida, suas adversidades e tentações. E é o que nos permite acreditar numa força maior que nos acompanha e rege o universo.


A espiritualidade, à medida que possibilita nossa maior interiorização, nos torna mais atentos, pois permite que tenhamos uma dimensão maior de nossas atitudes perante o coletivo, mais consciência das nossas reais necessidades e gostos, tornando-nos menos influenciáveis e mais conscientes às nossas reações corporais. Ela nos conecta ao ser supremo e nos impede de adorar os “falsos deuses” que nos rodeiam o tempo todo (poder, status, dinheiro, vaidade etc.). Claro que precisamos desses “falsos deuses”, pois somos seres humanos, mas não podemos adorá-los a ponto de sermos seus escravos.


Nossas reais necessidades de sobrevivência estão se tornando desejos que se tornam cada vez mais insaciáveis, e quanto mais alienados ou desconectados de nós mesmos estamos, mais ficamos reféns desses desejos, e mais insatisfeitos e “desejosos” nos tornamos, sempre querendo mais e mais. 


A espiritualidade pode também facilitar o desenvolvimento de aspectos importantes como compaixão e perdão. Esses aspectos impactam diretamente em nossa evolução e saúde à medida que passamos a entender que somente nas colisões é que podemos crescer, pois nelas somos obrigados a aprimorar nossa tolerância, paciência e reconhecimento de nossos próprios erros.


Além da questão relacionada à nossa evolução espiritual, há também a questão da nossa saúde. Diversos estudos vêm demonstrando que sentimentos negativos, como raiva e ressentimento, podem prejudicar o funcionamento do nosso sistema imunológico (incluindo sistema endócrino, cardíaco, pulmonar etc.). Não por acaso, a glândula do timo (diretamente relacionada aos linfócitos, nossas células de defesa) está localizada no chakra cardíaco, o chakra do perdão e compaixão. 


Precisamos exercitar nossa espiritualidade por meio do exercício constante de olharmos para dentro para buscar nossa inteireza e olharmos para o alto para aprimorarmos nossa fé e entendermos que nossa evolução está diretamente relacionada ao nosso crescimento pessoal e ao nosso crescimento dentro do coletivo.

Até a próxima!

Namastê!

 

Alessandra Cerri é sócia-diretora do Centro de Longevidade e Atualização de Piracicaba (CLAP), mestre em Educação Física, pós-graduada em Neurociência e pós-graduanda em Psicossomática.