Em Busca do Desconhecido

Por Paulo Eduardo de Barros Fonseca 27/09/2019 - 20:49 hs
Em Busca do Desconhecido
Paulo Fonseca é vice-presidente do Conselho Curador da Fundação Arnaldo de Carvalho


Tudo aquilo que foge da esfera de percepção material recai no misterioso, no desconhecido. Isso acontece porque, apesar dos avanços da sociedade moderna, o homem ainda é embrutecido espiritualmente e muitas vezes só consegue verificar o que é falso ou verdadeiro analisando o elemento concreto, palpável, perceptível para os sentidos do corpo.

Quase sempre as situações da vida são encaradas num contexto materialista e simplista porque as pessoas deixam de se colocarem à disposição para perceber as coisas de um modo global. Porém, o que nos parece enigmático é mais natural do que imaginamos. Shakespeare, em Hamlet, disse que “existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”.

Dito isso é de se indagar: que tal permitir-nos olhar a natureza que nos cerca e sentirmos a presença de Deus?! Ora, se em razão do nosso desenvolvimento espiritual e ante a obscuridade que a matéria nos causa não nos é dado compreender a natureza íntima de Deus, sem qualquer dúvida, podemos senti-lo em suas obras.

O canto dos pássaros, o perfume das flores, a beleza do sol, dentre tantas outras obras que a natureza produz, penetram em nossos espíritos levando-nos diretamente à inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. É incontroverso que se Deus não se mostra Ele se revela em suas obras.

Por mais rudimentar e materialista que as pessoas possam ser duvidar da existência de Deus é o mesmo que negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pode fazer alguma coisa (Livro dos Espíritos, perg. 4).

Assim, a busca constante do conhecimento é e será um eterno continuun que nasceu da primeira indagação do homem sobre a natureza e depois sobre a vida e sobre ele mesmo, mas que, inevitavelmente, o levará à Deus. Santo Agostinho já ensinou que “ninguém ama o que não conhece”.

Num claro chamamento do homem à reflexão Mateus já dizia “felizes aqueles que têm ouvidos de ouvir e olhos de enxergar” (Mateus 13:9), incitando um despertar de consciência, de modo que a humanidade, desligando-se um pouco do ser material, possa favorecer seu amadurecimento espiritual ao propiciar que as luzes da sabedoria divina sejam irradiadas livremente para todos.


Paulo Eduardo de Barros Fonseca é vice-presidente do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.