Em Busca do Desconhecido

Por Paulo Eduardo de Barros Fonseca 21/11/2019 - 18:34 hs
Em Busca do Desconhecido
Paulo Fonseca é vice-presidente do Conselho Curador da Fundação Arnaldo de Carvalho

Tudo aquilo que foge da esfera de percepção material recai no desconhecido, no misterioso.

Isso porque, apesar dos avanços da sociedade moderna, o homem ainda é embrutecido espiritualmente e muitas vezes só consegue verificar o que é falso ou verdadeiro analisando o elemento concreto, palpável, perceptível para os sentidos do corpo.

Quase sempre encaramos as situações da vida num contexto materialista e simplista deixando de nos colocarmos à disposição para perceber as coisas de um modo global.

Todavia, o que nos parece enigmático é mais natural do que imaginamos. Shakespeare, em Hamlet, já disse que “existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”.

Que tal nos permitirmos olhar a natureza que nos cerca e sentirmos a presença de Deus?! O canto dos pássaros, o perfume das flores, a beleza do sol, dentre tantas outras obras que a natureza produz, penetram em nossos espíritos levando-nos diretamente a Deus.

Se, em razão do nosso desenvolvimento espiritual, não podemos compreender a natureza íntima de Deus, ante a obscuridade que a matéria nos causa, podemos senti-lo em suas obras. Ora, se Deus não se mostra Ele se revela em suas obras.

Por mais rudimentar e materialista que o homem possa ser, duvidar da existência de um ser supremo, causa primaria de todas as coisas, é o mesmo que negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pode fazer alguma coisa (cf. Livro dos Espíritos, perg. 4).

A busca constante do conhecimento é e será um eterno continuum, que nasceu da primeira indagação do homem sobre a natureza e depois sobre a vida e sobre ele mesmo, mas que, inevitavelmente, o levará a Deus.

Mateus, num claro chamamento do homem à reflexão, já dizia “felizes aqueles que tem ouvidos de ouvir e olhos de enxergar”, incitando-nos para um despertar de consciências, de modo que a humanidade, desligando-se um pouco do material, possa favorecer seu amadurecimento espiritual, propiciando que as luzes da sabedoria divina sejam irradiadas livremente para todos.

Paulo Eduardo de Barros Fonseca é vice-presidente do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.