Carta aberta à população brasileira

Por Elizânia Azanha 18/03/2020 - 12:50 hs
Carta aberta à população brasileira
Elizânia Azanha é professora de Redação


Estimado Povo da Nação Brasileira,

 

Sou apenas uma cidadã brasileira tentando sobreviver à essa enxurrada de informações sobre o corona vírus que estão sendo despejadas sobre nós a cada segundo do nosso dia. Uso este recurso para clamar por mais cuidados: cuidado com o que diz, cuidado com o que ouve, cuidado com o que compartilha, cuidado com seus mitos e preconceitos.

Já me preocupava quando começaram a chegar as notícias da epidemia na China, estão distantes, não tenho qualquer laço com eles, mas são pessoas como nós, buscando todos os dias um lugar ao sol. Compadeci-me por cada doente, por cada morte, por cada filho que perdeu seu pai.

Infelizmente, o mal tomou proporções inimagináveis e, resumindo a ópera, chegou até nós. Pior, já chegou com nome apavorante: Pandemia. As palavras têm poder e, por mais que tentem nos dizer que não há motivo para pânico, ele já se instaurou entre nós.

É sério? Sim, Senhores brasileiros, é muito sério. Mas quero crer que as autoridades competentes estejam fazendo sua parte, que os órgãos de saúde estejam atentos e ajam com cautela e zelo.

O que vos peço então é a mesma atitude: cautela e zelo. Como vocês, participo de vários grupos nas redes sociais e a cada minuto aparece uma informação nova, algumas muito precisas e de fontes fidedignas, mas outras encaminhadas de sabe-deus-quem. Minha gente (minha porque tenho muito orgulho de ser brasileira), não podemos continuar repassando aquilo que desconhecemos, não podemos compartilhar informações sem a certeza de que seja real. Cada vez que encaminhamos uma mensagem dessas, aumentamos o estado de pânico já existente e, em pouco tempo, temos um caos, muito maior do que o problema em si.

É hora de confiarmos na mídia oficial e nas autoridades de saúde. Se os números divulgados não forem reais, eles devem ter uma razão para isso, deixemos nossas convicções políticas de lado e respeitemos essas decisões. Ninguém quer acabar com o Brasil, ao contrário, precisamos dele, todos nós precisamos. O empresário precisa do operador, do mesmo jeito que peão de fábrica precisa do empresário para pagar seu salário.

Somos uma comunidade, quer queiramos, quer não. E num momento tão crítico como o que estamos vivendo, nada melhor do que cada um fazer sua parte, ainda que ela seja apenas calar, ficar em casa, não visitar idosos. Entendo que seja muito difícil para a grande parcela da população esse “resguardo”, mas se cada um fizer a sua parte, combateremos esse vírus antes que ele nos combata.

Fica aqui meu clamor: não compartilhe se não souber a fidelidade das informações; não propague se não veio de uma autoridade em saúde; não saia de casa se for possível; não hostilize as pessoas por estarem com medo; não perca seu amor pelo próximo.

É em períodos de guerra que um povo se fortalece, esta deve ser a nossa guerra: contra o Covid-19, sem esquecer de todos os outros males que afligem nossa gente, mas não podemos deixar mais um agir.

Eu faço a minha parte e os senhores a sua.

Atenciosamente.

Uma cidadã brasileira.

Elizania Azanha é professora de Redação

elizania.azanha@gmail.com