O Tempo

Por Paulo Eduardo de Barros Fonseca 23/07/2020 - 09:37 hs
O Tempo
Paulo Eduardo Fonseca é vice-presidente do Conselho Curador da Faculdade de Ciências Médicas de SP

Muitas vezes, as pessoas passam pela vida sem prestar atenção em coisas do cotidiano como, por exemplo, o tempo.

Os dicionários definem tempo como um meio contínuo e indefinido no qual acontecimentos parecem suceder-se em momentos irreversíveis, ou seja, a irreversibilidade é uma propriedade que caracteriza o curso do tempo, sendo, portanto, apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias.

Em certa ocasião perguntaram a Buda qual é o maior erro que cometemos na vida ele disse: o maior erro é pensar que temos tempo.

Essa afirmação ganha relevância quando percebemos que, como dizem, se o tempo é livre - é de se lembrar que - ele não pode ser comprado. Mais ainda, ninguém terá o tempo, mas somente poderá usá-lo. Ninguém ficará com ele, mas poderá gastá-lo. Quem perde tempo não tem com tê-lo de volta. Por isso, tempo vale mais que dinheiro; inclusive porque podemos criar mais dinheiro, mas não podemos criar mais tempo.

A maioria das pessoas não percebe os valores infinitos do tempo e, sobretudo, que tempo é vida.  Tentar entender o tempo é procurar compreender a vida e como ela se desenvolve até o rito de passagem que chamamos de morte que, aliás, não interrompe a sucessão de acontecimentos de cada indivíduo, porque a vida prossegue em outra dimensão.

Essa afirmação encontra guarida na filosofia, nas religiões e na ciência, que reconhecem a existência de uma dimensão mais etérea, portanto, não perceptível aos olhos humanos. Na explicação de Kardec no sentido de que alma é o espírito encarnado e espírito é a alma desencarnada denota-se que os dois vocábulos têm o mesmo significado, com diferenças apenas de momento e local, ou seja, de espaço e de tempo.

Já Santo Agostinho, filósofo do cristianismo, diz que o tempo é um grande paradoxo; é um elemento de fácil saber, mas difícil de explicar.  O tempo é “um agora que não pode ser detido, um será que, todavia, não é” (Confissões XI), o qual não encerra sua ação em razão da morte do corpo físico simplesmente porque “a morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do Caminho. Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês, eu continuarei sendo ... Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador ... Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho. ...”.

Portanto, enquanto uma sucessão de momentos irreversíveis que permanecem intactos em qualquer dimensão, tempo é vida e como diz um provérbio aborígene: somos simples visitantes deste tempo, deste lugar ... estamos só de passagem, o nosso objetivo é observar, crescer, amar e depois voltar para casa.

 Enfim: nascer, viver, morrer, renascer e ainda progredir sempre, tal é a Lei.

Nesse contexto, enquanto uma sucessão de coisas, o tempo não para, mas, em contrapartida, você é quem decide como usá-lo.

A opção sempre é sua!

Paulo Eduardo de Barros Fonseca é vice-presidente do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.