Um Natal diferente

Por Elizânia Azanha 24/12/2020 - 15:20 hs
Um Natal diferente
Elizânia Azanha é professora de Redação

Sou uma pessoa que muito se apraz das tradições. Faço questão de manter vivas algumas que nasceram antes de mim, as quais conheci desde muito pequenina, porque elas não me deixam esquecer das minhas raízes, elas me mostram quem eu sou e como me tornei a pessoa que hoje escreve este texto.


Outras, fiz questão de criar em nossas vidas desde que me casei. Ele e eu somos pessoas diferentes, com raízes distintas e tradições diversas, mas decidimos criar as nossas próprias, que se eternizariam em nossos filhos, como fizeram nossos pais (outra hora falo delas, porque as amo).


Hoje, especificamente, desejo falar da tradição mais antiga de todas, aquela que sei não ser só da minha família, ela é de todas as famílias, cada uma a seu modo, com seus costumes, comidas e festas. Falo, claro, do Natal. Essa data, ao menos para mim, mágica.


Mágica porque há mais de 2000 anos nasceu alguém com o poder de, até hoje, mudar pessoas, de transformar conceitos, de trazer mais amor para uma terra cheia de interesses, ódios e discórdias. Se você não crê nesse Jesus que eu conheço tão bem, parte do seu Natal não está completo, contudo, se o amor for o maior sentimento de seu coração, mesmo que não queira, Ele olha por você e respeita quem você é.


É mágica porque acreditar no Papai Noel é simplesmente mágico. Ver os olhinhos das crianças vidrados em cada cena em que o bom velhinho apareça, ver sua expectativa ao escrever a cartinha para dizer o que deseja ganhar no Natal e, ainda mais encantador, ver o grande brilho em seus rostos ao abrir o presente que esse incrível Papai Noel trouxe. Essa magia é linda demais para ser perdida ou esquecida.


Para mim, é ainda mais mágica, porque estamos juntos, pais, avós, irmãos, primos, tios, todos. Casa cheia, comida gostosa, risadas sobre nossas lembranças, sejam do ano ou de outros anos, quando as crianças éramos nós, quando quem esperava aquele velhinho de barba branca e vestes vermelhas éramos nós. Essa, de todas as tradições, é, infinitamente, a melhor.


Contudo, este ano, está tudo diferente... as festas serão bem menores: menos gente, menos risadas, menos abraços. Mas não menos alegria.


2020 foi um ano de provações para todos nós, brasileiros ou não. Fomos privados da nossa maior marca: o abraço. Fomos limitados aos poucos metros quadrados das nossas casas, caminhadas só para o necessário, até as idas ao supermercado foram reduzidas. Tapamos parte de nossos rostos com máscaras (por sorte somos criativos e as fizemos bem divertidas), não apertamos as mãos, e os beijos foram cessados. Temos, pois, duas opções neste Natal: fecharmos nossos corações, portas e janelas e nos recolhermos no quadrado de nossas casas, ou abrir nossos corações para o desejo único de dias melhores.


Vou abrir as portas e janelas para que todos ouçam a alegria dos poucos, mas verdadeiros amores de minha vida hoje. Quero que os nossos risos e barulhos de alegria ecoem para todos os cantos, que se propaguem de uma janela para outra, até que todas as pessoas, mesmo que à distância, possam se sentir abraçadas pelo som de nossas vozes.


Este ano temos uma tradição alterada, mas, jamais, apagada. É disso que o mundo precisa, da nossa fé. Fé na vida, fé no homem, fé no que virá. Fé que as mudanças serão benéficas a todos e muito em breve poderemos novamente nos abraçar, olhar nos rostos sem máscara e dizer: obrigada por você existir. Fé em um mundo onde reine a tolerância, o respeito e a liberdade de opiniões, de crenças e de valores. Fé em um Ser superior que quis morrer por nós, mas não quer que nós morramos, quer, sim, que tenhamos uma vida plena, cheia de amigos e amores.


Que neste Natal, tão atípico como tudo que vivenciamos este ano, possamos elevar o amor em nossos corações, com o firme desejo de que não falte a ninguém o essencial, de que sobre amor e de que as discórdias sejam perdoadas.


Que este Natal seja diferente, mas, ainda assim, mágico. Feliz Natal.


Elizânia Azanha é professora de Redação

elizania.azanha@gmail.com