Educação 4.0

Por Elizânia Azanha 28/05/2021 - 15:12 hs
Educação 4.0
Elizânia Azanha é professora de Redação

Há 14 meses a educação vem enfrentando mudanças urgentes, adaptações necessárias e alterando seu, secular, cenário: a sala de aula. Mudanças que eram necessárias há tempos, mas as quais ninguém estava disposto a fazer, por, ao menos, duas razões: mudar o que já se consolidou como bom é um desafio muito grande de mudança de paradigmas e, convenhamos, uma área que não gosta muito de mexer nesse terreno é a educação; por outro lado, trata-se de uma mudança que mexe, e muito, no bolso dos governos, em todas as suas instâncias, e está aí outro espaço em que o não-queremos-falar-disso prevalece.


Quem acompanha meus artigos já sabe que não sou favorável ao homeschooling (não que não queira, apenas não consigo), também tenho minhas ressalvas sobre educação à distância, porque temo que a disciplina necessária aos estudantes desta modalidade possa prejudicar seu rendimento, em especial quando pensamos na educação básica. Todavia, há um ano, nossas casas se tornaram um espaço (adequado ou não) de aula.


Ou seja, a ead chegou sem que nos preparássemos para ela, fomos obrigados a engolir essa modalidade do jeito que deu. E, preciso dar minha cara a bater, deu certo. Milhares de alunos da educação básica têm tido aulas remotas e com muita eficiência, em especial, porque escolas e professores se empenharam, mais do que podiam, para garantir que essas aulas acontecessem. Então podemos assumir essa forma de ensino de uma vez por todas?


Não. Não podemos porque, apesar da vantagem de se aprender sem o risco de contaminação, uma vez que estamos todos em casa, não podemos ignorar que a maioria dos estudantes brasileiros dessa faixa etária está nas escolas públicas e, infelizmente, sem aulas on-line.


A Unesco fala de um prejuízo de 2/3 do ano acadêmico, em razão as escolas fechadas. Aceitando que esse prejuízo é mais impactante entre os mais vulneráveis, não poderemos ignorar que aquela que existe para promover oportunidades mais igualitárias está, neste momento, prestando um desserviço à sociedade. A educação está promovendo a desigualdade, não que ela queira...


É certo e inquestionável que a preservação da saúde deve ser a prioridade de qualquer pessoa e, principalmente, de todos os governantes. Urge que vidas sejam salvas, que vacinas cheguem a toda a população, que se conscientizem as pessoas sobre a importância da prevenção, inclusive com o afastamento social, contudo, queremos saber: quando a educação será tratada como fundamental para a constituição de um país mais justo? Já é hora de investir em mudanças úteis e necessárias para que a educação de qualidade chegue a todos os alunos.


Não quero ficar lamentando o que se passou, fez-se o que era preciso para manter alunos, professores e familiares fora do risco de contaminação, mas já é tempo de olhar para a frente e pensar em políticas públicas que permitam oferecer o que os alunos precisam para ter acesso à educação de qualidade. Seja com aulas presenciais, respeitados os protocolos sanitários, seja com aulas on-line, garantindo aos alunos os recursos necessários para essa modalidade; seja preparando os pais para o suporte que as crianças menores necessitam. Enfim, é hora de permitir que alunos da rede pública e privada tenham, igualmente, acesso a uma boa educação, que lhes permita receber uma formação adequada para a vida, para a universidade, para o mercado de trabalho.


Ao contrário do que pregue o senso comum, o Brasil está entre os países que mais gastam com educação, de acordo com a OCDE (Organização Para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Talvez seja hora de olharmos, então, como esse investimento é gasto, redirecionar custos, investir melhor, como dizem os economistas.


É hora de toda a população lutar por essa educação de qualidade de que se fala há tanto tempo, independentemente de estarmos nas escolas públicas ou privadas. Melhorar a qualidade da educação significa formar melhor as pessoas para, quem sabe, tornar o mundo um lugar melhor. Eu acredito na educação.


Elizânia Azanha é professora de Redação

elizania.azanha@gmail.com