Agradeço a solidariedade. Machismo e misoginia não passarão!

Por Professora Bebel 26/11/2021 - 20:55 hs
Agradeço a solidariedade. Machismo e misoginia não passarão!
Professora Bebel é presidente da Apeoesp e deputado estadual pelo PT


A quinta-feira, 25 de novembro, foi um dia especial para mim. Representantes de mais de cinquenta entidades sindicais, entidades populares, da sociedade civil, da educação, parlamentares e partidos políticos organizaram e compareceram a uma manifestação de desagravo à minha pessoa na Câmara Municipal de São Paulo, frente à forma truculenta como fui tratada na sede da Secretaria Estadual da Educação em 18/11.

 

Naquela data, como já fiz inúmeras outras vezes, dirigi-me à sede da Secretaria Estadual da Educação, acompanhada de diretores da APEOESP e professores para tratar de uma questão emergencial: a defesa da Educação de Jovens e Adultos e do ensino noturno, frente a diversas medidas da Secretaria da Educação, redução do currículo, da carga horária de EJA e fechamento do noturno, para ensino regular e EJA em muitas escolas da rede estadual de ensino.

 

Neste ano de 2021, não conseguimos que o secretário Rossieli Soares se reunisse com nossa entidade, apesar de nossos constantes pedidos. Desta vez, além de mandar informar-me na recepção da Secretaria da Educação, após mais de meia hora de espera, que não receberia, sequer designou alguém da sua equipe para conversar conosco. Diante disso, e considerando que, como deputada estadual, tenho o direito de entrar em prédios públicos do Governo Estadual, dirigi-me à escada que dá acesso ao gabinete do secretário, sendo impedida, com bloqueio e empurrões, por um segurança.

 

Apesar disso, consegui entrar. Após aguardar por diversos minutos, fui afinal recebida por um coordenador e apresentei nossas reivindicações. Por que, então, fui submetida a tanto constrangimento? Poderia, desde o início, ter sido recebida.

 

Tal agressão não foi apenas contra a minha pessoa. A truculência contra a minha pessoa foi também contra a nossa categoria, contra as pessoas que não puderam estudar na idade própria e que necessitam da EJA, contra os estudantes trabalhadores que necessitam do ensino noturno, contra professoras e professores, constantemente atacados em seus direitos e necessidades.

 

Por isso, o ato de desagravo, simbolicamente realizado no Dia Internacional de Luta pelo fim da Violência contra as Mulheres, me deixou emocionada e transcendeu o meu caso específico. Ele foi um brado contra a violência, o machismo, a misoginia e o desprezo do governo do PSDB pelos nossos direitos.

 

Agradeço, de coração, além da iniciativa e presença das entidades, também a presença de mais de centena de professoras, professores e militantes de movimentos sociais de todo o estado de São Paulo e as dezenas de mensagens de solidariedade que recebi desde o dia 18/11.

 

Assim, sinto-me mais fortalecida para prosseguir na nossa luta, justa e necessária.

 

Professora Bebel é presidenta da Apeoesp, deputada estadual pelo PT e líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo