O que as mulheres desejam do próximo governo?

Por Helena Ribeiro da Silva 04/03/2022 - 19:31 hs
O que as mulheres desejam do próximo governo?
Helena Ribeiro da Silva, presidenta do SEAAC de Americana e Região


“Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade”. “Ela é muito feia. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar porque ela não merece”. “O cara paga menos para a mulher porque ela engravida”. “O Brasil é uma virgem que todo tarado de fora quer”. Essas frases fazem parte do discurso machista do Presidente Jair Bolsonaro, que deixa nítido que sua política é de absoluta violência institucional contra as mulheres.

 

No Brasil, as mulheres são mais da metade das pessoas desempregadas, atingindo 7,5 milhões. Mais de 30 milhões de lares são chefiados por elas, mas o atual governo excluiu mais de 1,5 milhão de famílias do programa Bolsa Família, em que 92% dos titulares são mulheres. É o governo que ataca não só com palavras, mas impõe uma política econômica que aumenta a pobreza e violenta as mulheres.

 

Assim, até ficamos surpresos que a Justiça Federal em São Paulo determine que o governo federal repare a população por meio do pagamento de R$ 5 milhões pelos danos morais provocados por declarações do Presidente Jair Bolsonaro e seus ministros, que discriminam e reforçam o preconceito contra mulheres, demanda que vai se arrastar por um bom tempo, quando nem sequer deveria acontecer.

 

Infelizmente, o Brasil está em um momento muito delicado e triste em relação às mulheres e muito pouco é falado sobre isso, pois o tabu em relação a violência contra elas não deixa abrir o diálogo, enquanto o desmanche das políticas públicas voltadas para a mulher as prejudica ainda mais.

 

Analisar as questões relativas aos direitos das mulheres no atual contexto não é tarefa simples, pois, não bastassem às imensas dificuldades de viver sob um governo de extrema direta - e, portanto, completamente oposto aos sentidos das lutas de gênero, ainda vivemos sob a bandeira de uma trágica epidemia, inédita, dolorosa, difícil que agride todos individual e coletivamente, afetando inclusive nossa capacidade de pensar, pois, não sabemos ao certo em que ponto estamos, quanto pode piorar e não vemos um horizonte claro que possamos alcançar.

 

No meio de tanta insegurança e incerteza, dois fatos: 1º o desafio de destruir todas as formas de opressão e exploração passam por construir outra sociedade; 2º em outubro haverá eleição geral e mais do que nunca será exigido das mulheres - e de todos os eleitores - que votem com consciência.

 

 

                             Helena Ribeiro da Silva

                Presidenta -Seaac de Americana e Região