Morre aos 77 anos, o radialista Paulo Edson, a voz do rádio

Por Roberto 10/08/2020 - 15:32 hs

Morre aos 77 anos, o radialista Paulo Edson, a voz do rádio
Paulo Edson, a voz do rádio, morre aos 77 anos
Paulo Edson, a "Voz do Rádio", histórico plantão esportivo, morreu na manhã desta segunda-feira, dia 10 de agosto de 2020, aos 77 anos. Dois dias antes de sua morte, Paulo Edson foi internado na Santa Casa de Piracicaba, onde foi constatado que o jornalista tinha sofrido um infarto.
 
Em 6 de dezembro de 2019 foi homenageado no Troféu Aceesp pelos 50 anos de trabalho no jornalismo esportivo. Clique aqui e veja a cobertura completa do evento, com texto e fotos de Marcos Júnior Micheletti, do Portal Terceiro Tempo.
 
Abaixo, você conhece a carreira de Paulo Edson em belíssimo texto escrito por Hélio Soares: 

"Nascido no dia 19 de junho de 1943, em São Pedro-SP, Paulo Edson é casado desde 1965 com Valdecila Alves Soares da Silva. É pai de três filhos, Tanimara, Helio e Priscila, e avô de dois netos, Lucas e Matheus.
 
Começou no rádio em 1960, na Rádio Clube de Rio Claro - antiga PRF.2 - no dia 18 de junho, um dia antes de completar 17 anos. Mauro Martins Coelho, gerente da rádio, abriu inscrições para testes. Paulo Edson fez os testes e foi aprovado. Trabalhou na Clube até agosto de 1961, quando se transferiu para a Verinha, de Marilia, onde permaneceu até março de 62. Aí foi gerenciar a Rádio Luz, de Araçatuba, onde ficou até novembro de 62, e retornou para Rio Claro por mais algum tempo, antes de retornar à Marília.

Foi lá que ficou sabendo que a Rádio Difusora São Paulo procurava locutores para a sua programação. A fitinha com a voz ainda desconhecida em São Paulo seguiu para a capital. Uns meses depois foi chamado para trabalhar na Difusora - integrante da antiga rede associada (Emissoras Associadas - que englobavam rádios e tv no Brasil). Estreou no rádio de São Paulo em novembro de 1964, em pleno início do regime militar. Carlos Spera e José "Tico-Tico" de Moraes eram os repórteres, naquele tempo. Na Difusora permaneceu até 1968, quando se transferiu para a Rádio Tupi, trabalhar na famosa Equipe 1040, naquela época dirigida por Milton Camargo, que acabou se transformando em grande profissional e amigo.

Trabalhou ao lado de Haroldo Fernandes - o homem da camisa 10, Alfredo Orlando, Wilson de Freitas, Antonio Rangel, Milton Camargo, Ávila Machado, José Góes, Manoel Ramos, José Roberto Ramos, Vitor Moran, Lucas Neto, Juarez Soares, Edgard Soares, Henrique Guilherme - na época, rádio-escuta.

Esta equipe chegou a balançar a liderança da Bandeirantes, com o advento da Loteria Esportiva. E foi também neste período que começou a trabalhar em TV (Rede Tupi), apresentando os boletins informativos diurnos do Ultranotícias - noticiário famoso naqueles tempos. O jornal da noite era apresentado por Ribeiro Filho. Foi na Tupi, também, que apresentou o "Matutino Tupi" e o "Grande Jornal Falado Tupi", ao lado de Corifeu de Azevedo Marques, grande nome do jornalismo daqueles tempos.
 
Trabalhou na Tupi até 4 de abril de 1973, quando, a chamado de Helio Ribeiro - com quem havia trabalhado na Tupi, trasnsferiu-se para a Rádio Bandeirantes. Nas Associadas, foram 8 anos e 6 meses de trabalho. Na Bandeirantes, 23 anos, dividindo-se às vezes, entre rádio e TV.

Na Bandeirantes foi dirigido pelo saudoso Darcy Reis - um dos mais corretos profissionais que declara ter conhecido na carreira. Participou da equipe do Scratch do Rádio ao lado de Fiori Giglioti, Flávio Araújo, Enio Rodrigues, José Paulo de Andrade, Borghi Junior, Alexandre Santos, Roberto Silva, Jota Háwilla, Chico de Assis, João Zanforlin, Mauro Pinheiro, Loureiro Júnior e Sérgio Cunha - que chegou à direção de esportes no final da década de 90.

Em 1985 deixou a Bandeirantes e foi trabalhar na record, no time de Oswaldo Maciel e Sérgio Cunha. Tinha como companheiros, além dos dois, Loureiro Júnior, Reinaldo Costa - autor do slogan "A Voz do Rádio", Augusto Quelhas, Roberto Silva, Luís Carlos Quartarolo (naquele tempo chamado de Luís Carlos Santos - mudou o nome para não ser confundido com um deputado do mesmo nome, e Márcio Calves.

A equipe ganhou a liderança esportiva na rádio durante a Copa do Mundo de 86, escorados num trabalho sério e apoiados com apresentadores de fama como Eli Corrêa, Paulinho Boa Pessoa e Paulo Barboza. Quando Maciel e Sérgio Cunha deixaram a Record, assumiu Osmar Santos. E foi nesta época que teve, segundo ele mesmo relata, a grande honra de trabalhar ao lado do maior locutor esportivo do rádio em todos os tempos - Pedro Luís. Permaneceu na Record, onde também fez TV, até janeiro de 1991.

Em outubro de 1991 retornou à grande paixão Bandeirantes, mas desta vez apenas para o rádio, onde permaneceu até 1998. Foi nesse ano que o rádio da capital deixou de acompanhar a Voz do Rádio.

"Hoje, secretário de cultura, turismo e esportes na cidade de São Pedro, ainda arranjo um tempo para "brincar" de rádio. Fez umas "pontas" na Rádio Brasil, de Santa Bárbara d´Oeste e na Rádio Mix, de Limeira-SP."

Fonte: Terceiro Tempo de Milton Neves