Após seis mortes confirmadas, Americana reforça ações contra febre maculosa

Após seis mortes confirmadas, Americana reforça ações contra febre maculosa

Por Roberto 08/06/2018 - 18:19 hs

Após seis mortes confirmadas, Americana reforça ações contra febre maculosa
Agentes comunitários recebem capacitação

 

Secretaria de Saúde registra 18 casos suspeitos e seis mortes este ano

 

 

Para enfrentar o surto de febre maculosa no município, a Secretaria de Saúde, em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, solicitou a aquisição de mais placas de advertência, que serão instaladas em locais onde o PVCE (Programa de Vigilância e Controle de Carrapatos e Escorpiões) constatou a presença do carrapato estrela, transmissor da doença.

 

Nesta sexta-feira (8/6), foi realizada uma capacitação para um grupo aproximado de 30 agentes comunitários de saúde que atuam na ESF (Estratégia Saúde da Família), para orientá-los sobre como ocorre o contágio e as formas de prevenção. O objetivo é que os agentes orientem os moradores, principalmente àqueles que residem próximos das áreas reconhecidamente infestadas pelo carrapato estrela.

 

A capacitação foi realizada pelo médico veterinário do PVCE, José Brites Neto, acompanhado do biólogo do setor, Jardel Brasil. “São os agentes que vão levar essa informação diretamente para a população que está exposta ao risco, numa linguagem fácil e acessível expondo o verdadeiro perigo que eles (a população) estão incorrendo ao frequentar as matas ciliares”, explicou o médico veterinário.

 

O PVCE (Programa de vigilância e Controle de Carrapatos e Escorpiões), órgão da UVISA (Unidade de Vigilância em Saúde) já havia informado que as margens do Rio Piracicaba em toda a extensão do município são consideradas áreas de risco, uma vez que foi identificada a presença do carrapato estrela em pesquisa acarológica realizada pelo setor.  A Vigilância pede para que as pessoas não frequentem o local, sob risco de contraírem a doença.

 

Notificações


Americana já tem 18 notificações de febre maculosa registradas este ano pela Vigilância Epidemiológica. A Secretaria de Saúde confirmou ontem (7/6) a 6ª morte causada por febre maculosa. O caso é de uma menina de sete anos, moradora do bairro Antônio Zanaga que chegou a ser atendida no Hospital Municipal “Dr. Waldemar Tebaldi” na última semana de abril, mas foi transferida para o HC (Hospital das Clínicas) da Unicamp (Universidade de Campinas) e morreu no dia 4 de maio em consequência da doença.

 

A Secretaria ainda aguarda o resultado de outras duas mortes, a de um homem de 37 anos e uma criança de dois anos, também do sexo masculino e que residiam no bairro Antônio Zanaga, local com maior incidência de casos notificados. Um homem de 45 anos, morador do bairro Praia dos Namorados, segue internado no HM e uma menina, de 13 anos, residente na Vila Pavan, encontra-se internada no Hospital Unimed de Americana, ambos com suspeita da doença.

 

Quatro pacientes tiveram alta médica, um nem chegou a ser internados e três casos foram descartados, portanto, além dos dois óbitos que ainda não tiveram causa esclarecida, há cinco notificações que aguardam resultado laboratorial.

 

Dos pacientes que morreram, a maioria residia na região do bairro Antônio Zanaga, trata-se de um homem de 23 anos, morador do bairro Jardim São Paulo e outro de 53 anos, morador do bairro São Vito. Já os outros óbitos são de três moradores do bairro Antônio Zanaga, sendo uma menina de sete anos e dois homens, um 59 e outro de 65 anos. No bairro Vila Bela (adjacente ao Antônio Zanaga) um homem de 60 anos também morreu por ter contraído a doença.

 

Com exceção da criança, que morreu no dia 3 de junho, todas as mortes ocorreram no mês de maio e a Vigilância Epidemiológica considera o maior número de casos dos últimos dez anos.

 

Dos seis pacientes que morreram, cinco tiveram passagens pelas margens do Rio Piracicaba, na região do Salto Grande, em Americana, sendo que um deles provavelmente contraiu a doença em um pesqueiro, no município de Nova Odessa.

 

Além das margens do Rio Piracicaba, outros locais (ver relação abaixo) também são considerados de risco, inclusive há placas de advertência alertando as pessoas para não adentrarem nessas áreas.

 

De acordo com o PVCE, Americana apresenta as seguintes áreas classificadas de risco para a febre maculosa:

·         Área da Carioba (pesqueiros do Rio Piracicaba, próximos ao Parque Têxtil da Rua Carioba).

·         Área da Casa de Cultura Herman Müller (mata ciliar adjacente ao Ribeirão Quilombo)

·         Área do Rio Jaguari (Região Pós-Represa do Salto Grande / chácaras nas proximidades da Colônia Agrícola do Sobrado Velho)

·         Área do Museu Histórico (pesqueiros na confluência dos Rios Atibaia e Jaguari)

·         Área do Assentamento Milton Santos (matas ciliares do Rio Jaguari e Córrego Jacutinga)

·         Área da Ponte do Rio Piracicaba / Rodovia Anhanguera (pesqueiros locais)

·         Área do Rio Piracicaba (pesqueiros na proximidade do Centro de Detenção Provisória)

·         Área da Represa do Jardim Imperador (Área do Portal dos Nobres)

·         Área da Praia dos Namorados (orla da Represa do Salto Grande)

·         Área do Bairro Mirandola (pastos e matas periféricas)

·         Área da Praia do Zanaga (braço da Represa do Salto Grande entre os Bairros do Zanaga e Vale das Nogueiras)

·         Área da Usina da CPFL (Represa do Salto Grande)

·         Área da Praia Azul (orla da Represa do Salto Grande)

·         Área do Ribeirão Quilombo (toda a extensão)

·         Área Verde do Parque Nova Carioba (mata ciliar do Córrego Bertini)

 

A Secretaria de Saúde pede aos munícipes para que evitem as áreas de risco, entretanto, caso seja necessária a frequência nestes locais, é importante tomar os seguintes cuidados:

·         Utilizar roupas claras porque facilitam a visualização dos carrapatos;

·         Colocar a barra das calças dentro das meias e calçar botas de cano alto;

·         Examinar o corpo cuidadosamente a cada três horas pelo menos, porque esses carrapatos transmitem a bactéria causadora da Febre Maculosa, depois de algumas horas após a picada na pele;

·         Tenha cuidado ao retirar o carrapato que estiver grudado à pele, fazendo-o mediante uma leve torção;

·         Se em um período de 2 a 14 dias após frequentar estes locais, o indivíduo apresentar febre alta, dores no corpo, dores de cabeça, calafrios e manchas avermelhadas na pele, deverá procurar imediatamente o serviço de saúde e no momento da consulta informar ao médico sobre o contato com carrapatos.